Além da pele

“É curioso ver a reação das pessoas quando digo que a hanseníase salvou a minha vida”, diz Francisco Faustino Pinto, coordenador do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan) de Juazeiro do Norte, no Ceará. “Passei por todas as provações possíveis, sofri com o tratamento, tive sequelas, fui discriminado, mas não carrego mágoas. Moro em Juazeiro do Norte, no Ceará, e passei a minha juventude em um bairro pobre onde a maioria dos jovens virava traficante ou bandido. Foi justamente a doença que me fez trilhar outros caminhos”, revela.

Todo ano, mais de 30 mil pessoas são diagnosticadas com a doença no país, e assim como Francisco, são o reflexo da importância da consciência de um diagnóstico precoce, da luta pela cura e pelo fim do estigma e preconceito.

Em busca da história de pessoas que fazem ou já fizeram tratamento para a hanseníase, André caiu novamente na estrada conhecendo os mais diversos personagens e se emocionando a cada visita. Para ele, “esse turbilhão de sofrimento é justamente o que aflora a sensibilidade dessas pessoas, que faz com que sejam extremamente doces e acolhedoras com quem as trata de igual para igual, com quem não tem medo do toque, da aproximação física, do olho no olho.”

A homenagem às pessoas deste projeto precisava ir além das imagens, tornando-se algo também sensível ao toque. Dessa forma, a capa, assim como algumas páginas do livro, foram feitas em craft, um papel rústico com toque texturizado, acompanhando o conceito de como é lidar com a hanseníase: a aspereza da doença, contrastando com a delicadeza dos retratados.